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F1: O Michelingate escalpelizado
Data: 20/06/2005 22:54

Ontem assistimos a uma das mais ridículas corridas da história do automobilismo, na qual apenas três equipas tomaram parte, exactamente aquelas que prepararam seriamente o Grande Prémio dos Estados Unidos da América.

As equipas fornecidas pela Michelin efectuaram nas semanas que antecederam os Grandes Prémios norte americanos cerca de dois mil quilómetros de testes, tendo em vista a preparação das corridas efectuadas no Circuito Gilles Villeneuve e em Indianapolis. Algumas delas tiveram mesmo equipas de testes em Silverstone e em Monza – uma atitude estranha para quem defende a contenção de custos através da redução dos testes – porém e ainda assim, a Michelin e as suas associadas foram incapazes de apresentar em Indianapolis um tipo de pneu que se revelasse seguro ao longo das setenta e três voltas que compunham o Grande Prémio dos Estados Unidos da América. Ou seja, a Michelin, que segundo alguns observadores tem vindo a construir os seus pneus no limite da segurança, juntamente com as suas parceiras técnicas falharam rotundamente nos cálculos que presidiram à criação dos pneumáticos que disponibilizou para Indianapolis. Mais grave ainda, nem sequer os pneus de recurso, ou seja o segundo tipo a que todas as formações têm direito, se mostrava capaz de poder rodar com segurança a ritmo de corrida no circuito onde se situa a oval mais famosa do mundo.

Este facto demonstra que na Michelin, ou não se sabe muito bem o que se constrói e depois logo se vê – uma atitude tipicamente portuguesa, ou que a busca de performance justifica correr riscos – muitos – inclusivamente, correr o risco de contribuir para uma farsa como a que assistimos ontem. Talvez seja mais credível a segunda possibilidade.

Segundo alguns observadores, os pneus da Michelin não tinham as paredes suficientemente fortes e quando passavam na Curva da Oval à velocidade de corrida dobravam, o que aumentava a sua pressão interna, acabando por delaminar, provocando os despistes de Ricardo Zonta e de Ralf Schumacher durante os treinos-livres da passada sexta-feira.

Para obviar este problema a Michelin pediu à FIA que lhe concedesse a possibilidade de fornecer as suas equipas com outro tipo de pneus, o que iria contra as regras em vigor, dado que as sete formações equipadas pelos franceses realizaram a qualificação com um tipo de pneumáticos e iriam participar na corrida com outro, ao passo que o regulamento actual dita que, depois de escolherem um composto, as equipas tem que usá-lo ao longo de todo o evento.

Na verdade, o que a Michelin sugeriu como solução era de todo inaceitável, porque no futuro qualquer um dos construtores poderia argumentar que os seus pneus não eram seguros e, portanto, teriam que equipar as suas associadas com pneumáticos diferentes. Além disso, a empresa de Clermont-Ferrand afirmou que desconhecia quais as causas dos problemas dos seus produtos, o que indica que a Michelin não poderia garantir que não iria acontecer o mesmo com os pneus que enviou durante a noite de França para Indianapolis, que não eram mais que o composto utilizado em Barcelona durante o Grande Prémio de Espanha.

Outra das sugestões efectuadas pela Michelin era a criação de uma chicane artificial antes da curva 13 (n.d.r.: a Curva da Oval) para que os pilotos fossem obrigados a diminuir a velocidade. Mas seria esta situação justa para as equipas que realizaram um bom trabalho na escolha de pneus para Indianapolis?
Claro que não. Esta chicane iria comprometer a performance de quem tinha sido capaz, beneficiando quem não foi bem sucedido e isso vai contra a filosofia da Fórmula 1, que premeia quem demonstra ser competente. Mas, curiosamente, um piloto, que preferiu esconder o seu nome, garantiu que, mesmo com chicane; os pneus Michelin não iriam aguentar toda a corrida.

Porém, o construtor sediado em Clermont-Ferrand garantiu que os seus pneus seriam capazes de efectuar dez voltas seguidas durante a corrida, o que levanta uma questão: Porque razão os pilotos da Michelin não participaram na corrida e substituíram o pneu traseiro direito (n.d.r.: o pneu onde se revelava o problema) a cada dez voltas?
A FIA garantiu que não haveria sanções caso a Michelin e as suas associadas enveredassem por este caminho, já que se tratava uma questão de segurança. Desta forma a corrida poderia seguir com os vinte carros, as formações fornecidas pela Bridgestone estariam em vantagem, o que era perfeito admissível, dado terem sido competentes no seu trabalho, e as restantes lutariam pelas derradeiras posições pontuáveis. Mas provavelmente, nunca saberemos a razão que levou a Michelin a não considerar esta solução.

O que nos remete para a política que recentemente tem invadido o paddock do mundo da Fórmula 1. A maior parte das equipas fornecidas pela Michelin fazem parte da GPWC e esta poderá ter sido uma forma de mostrar a sua força à entidade federativa, demonstrando uma forte unidade que não poderá ser colocada em causa pela pressão que a FIA e Bernie Ecclestone têm feito nos últimos meses. Também a FIA poderia ter reagido de outra forma, de modo a defender os interesses da Fórmula 1, podendo em último caso adiar, ou mesmo cancelar a corrida de ontem, para que não fossemos obrigados a assistir ao espectáculo deplorável que presenciámos.

Resta saber se quem deve pagar pelas guerras dos bastidores são os espectadores e os adeptos da categoria, porque se seguirem este caminho, um dia destes a FIA e as equipas vão acordar e perceber que estão a lutar por nada, porque a Fórmula 1, então, já não terá seguidores.

Jorge Girão


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